Mensagem do Presidente

Caros empresários, dirigentes e treinadores do Surf em Portugal, estamos a atravessar um momento único de crescimento e afirmação do Surf nacional, com uma oferta cada vez mais diversificada de serviços e opções de treino e ensino para praticantes dos mais diversos níveis, idades, contextos sociais e nacionalidades. Pessoalmente, tenho o privilégio de ter vindo a assistir a todas as fases do desenvolvimento desde o aparecimento dos primeiros operadores no início da década de 90, que me motivaram a dar início ao meu próprio projeto no Algarve em 1996, altura em que comecei a trabalhar de perto com vários jovens talentos locais.

Nessa fase inicial, os Treinadores portugueses viajaram pelo mundo fora, para as principais potências mundiais, em busca de formação e conhecimento. Todo esse conhecimento foi absorvido e importado para o nosso país, permitindo que se começasse a formar cada vez mais Treinadores e, assim, a estabelecerem-se Escolas de Surf ao longo da nossa costa, responsáveis por criar e desenvolver as bases nas vertentes do desporto, do turismo e da educação para o mar.

Curiosamente, e ao contrário do que acontece na maioria das estruturas desportivas nacionais, este desenvolvimento foi essencialmente promovido por empresas, salvo algumas notáveis excepções de âmbito clubístico. Todas estas iniciativas, muito antes de esta ser uma atividade rentável, foram resultado de uma enorme paixão pelo surf, de uma vontade de viver de e para o mar, tornando possível a toda a população desfrutar do prazer de descer uma onda, perpetuando assim a tradição e identidade marítima dos portugueses. De facto, num país historicamente voltado para o mar e num contexto de crescente procura por autenticidade no sector turístico, não é de espantar a enorme procura e promoção turística em torno do surf que se tem registado em Portugal, permitindo a estes Homens e Mulheres do mar tornarem-se profissionais daquilo que amam.

Contudo, todo o crescimento vem com os seus desafios. As nossas praias, de Norte a Sul e nas Ilhas, estão cada vez mais lotadas de praticantes de surf, muitas vezes inexperientes e sem as competências para garantir a sua segurança e dos demais. Os acidentes nas praias multiplicam-se e aumenta a tensão e o conflito entre banhistas, surfistas e todos os restantes utilizadores das praias. A regulamentação da nossa atividade continua a não existir a nível nacional e o licenciamento dos operadores é precário, impedindo a consolidação de todo o sector e abrindo caminho para os agentes ilegais. Continuam-se a registar inúmeras mortes por afogamento no mar, por falta de conhecimento da população do meio que nos rodeia.

Temos ainda um longo caminho pela frente. É urgente definir uma estratégia para o surf nacional de longo prazo, que deverá naturalmente começar e ser suportada pelas bases. Essa estratégia deverá passar pela implementação de uma regulamentação nacional uniforme, para a atividade das Escolas e Treinadores de Surf, com base num ordenamento equilibrado das praias que permita a todos os utilizadores usufruir da mesma em segurança e com qualidade. Também a ligação entre o Surf e o salvamento e segurança no mar deverá ser reforçada, com base em educação e conhecimento. Desta forma, poderemos ambicionar criar não apenas atletas e campeões, mas uma sociedade de protetores e defensores do Oceano.

A Associação de Escolas de Surf de Portugal já está neste caminho, os ‘miúdos da praia’ já reúnem em Ministérios e Secretarias de Estado. Importa agora que todos os agentes se unam como nunca, para levar o Surf Nacional onde este merece estar. Da minha parte, serei o Presidente de todas as Escolas e Treinadores de Surf, contando com a participação e adesão de todos para nos levarem ao sucesso desta missão.

Acreditamos que a união será a base da solução e estaremos sempre desejosos de ouvir as percepções e sugestões de todos.

O Presidente da Direção,
Sérgio Wu Brandão

Top